A longevidade tem suas mazelas. Físicas, por óbvio, mas de longe, as mais doloridas são as emocion
Viver e ter boa saúde é um prêmio pela genética ou eventuais cuidados. Mas viver, ter boa saúde e lucidez para assistir seus afetos pouco a pouco nos abandonando; partindo mais cedo para os braços de Deus, acaba desmerecendo o prêmio. Morremos junto aos pouquinhos, e aos pouquinhos vamos nos encharcando de dor.
Eu tenho primos que são irmãos; tenho amigos que são irmãos, e tenho irmãos/amigos que eu escolhi, de quem tive a igual recíproca. Por eles sempre busco uma frase de Franklin para justificar: "um irmão pode não ser uma amigo, mas um amigo será sempre um irmão".
Carrascamente a vida vem me privando aos poucos deles. Já se foi o Tuca, já se foi a Nara e hoje perdi a Vera. "Quero viver, nem que tenha que ficar entrevada na cama!", me disse ela quando estivemos juntos recentemente, isso dito entre risos, piadas e historias revividas, e é essa Vera que guardarei para sempre. Foi uma guerreira, e essa velha maldita chamada morte deve ter tido de lutar muito para convencê-la a ir embora. Mas se foi. Se foi a nossa Veroca. No entanto se foi enriquecida pelo dote recebido em seus últimos dias por aqui: o carinho, o amor e o esforço de seus queridos Junior, Marcelo Alexandre e Gabriela, com quem deixa, por certo, a garra e a coragem que fizeram dela um ser tão especial.
Adeus, Veroca. Junte-se aos bons onde é o teu lugar .
