“Maio de 68” foi um movimento estudantil que começou em março, na comunidade de Nanterre, ao lado de Paris, que logo a seguir tomou a capital, depois a França e o resto do mundo.
Foi uma espécie de nova revolução francesa promovida por estudantes, esta de coloração roxo-hematoma, diferente da anterior que era vermelho-guilhotina. Baixaram o cacete na gurizada que questionava o autoritarismo nas universidades, a rigidez dos costumes, a Guerra do Vietnam e reivindicava reformas. E estava a fim de sexo, drogas e rock and roll. A polícia carregou as nuvens com gás lacrimogêneo e fez chover lágrimas. Eram tempos de moderna contestação social, cujo ápice foi o grande surubão de Woodstock, no ano seguinte. A revolta estudantil estimulou outras classes, provocando uma greve geral que parou a França, e cortou os pés do gigante De Gaulle que, impotente, renunciou em abril de 69.
Muitas obras surgiram do “Maio de 68”. Artigos, revistas, livros e filmes. Assisti a um de 2003, com a Eva Green chamado "Os sonhadores" e não gostei. Um trisalzinho meia boca em meio aos protestos, arremedo do outro chamado "Jules e Jim - uma mulher para todos", com a Norma Bengell, este sim, muito bom. E músicas, muitas. Até mano Caetano meteu um "proibido de proibir". Mas a música mais marcante, que os estudantes entoavam quase como se fosse um hino era "Rain and tears" (Chuva e lágrimas... Chuva mais gás lacrimogêneo), do grupo Aphrodite”s child (Filhos de Afrodite), ícone do rock progressivo, cujo vocalista era um egípcio enorme, de origem grega nascido em Alexandria, com uma voz marcante de improvável delicadeza. Linda, única e surpreendente, basta ouvir e confrontar a voz com a estrutura de onde ela saía.
