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domingo, 8 de fevereiro de 2026

CUBA LIBRE



 juventude dos anos sessenta/setenta tinha poucos vícios. A que eu vivi não bebia, e quando fumava, os poucos, era na base do Elmo sem ponta ou Colúmbia. Pura marra, afinal não havia um mocinho nos cartazes de Hollywood. que não figurasse com um cigarro pendurado nos beiços. Saíamos à noite, de sexta a domingo, muito a fim de nos esfoguetearmos nos bailes ou reuniões dançantes, e depois percorrermos o saldo de madrugada em busca de alívio, onde houvesse uma luz vermelha e onde alguma tresnoitada companheira de ocasião pudesse nos receber em troca de uma inocente cuba libre. “Paga uma cuba, bem?”. Pois é: Cuba libre! Mas livres éramos nós, e nem precisávamos dizer isso.

Ao contrário do que pensávamos na época, esse nome de bebida não faz alusão à Revolução cubana de 1959, quando Fidel e Guevara derrubaram o sargentão proscrito Fulgêncio Batista. Vem de muito antes, e tão antes, que até o Estados Unidos estava lutando lado a lado pela libertação da ilha do domínio espanhol. A bebida não deixa de ser uma homenagem à união de dois companheiros de luta, hoje impensada: a imperialista Coca-Cola e o caribenho rum.

Cuba, porém, jamais chegou a ser libre. Se Batista, que já sucedera o caos, era capacho americano, Fidel vagou e enriqueceu, por inexplicáveis mais de meio século no poder, dividindo e amordaçando seu povo, à sombra de um mofado comunismo, sustentado por migalhas russas. Mesmo com a queda da cortina de ferro, pressão social pelos embargos americanos e condenando a população cubana à míngua, o regime se manteve. Com o afastamento de Fidel, primeiro para o lado e a seguir para os círculos de Dante, onde deve estar acertando as contas com as milhares de almas sacrificadas no paredón, a ilha passou a ser governada pelo meio-irmão Raúl, depois seu  sucessor Diaz-Canel e com a formação de um colegiado cúmplice, a fim de dar sustentação ao regime.  O próprio Fidel já havia alertado: “depois de mim, Raúl, mas ele não estará sozinho...”. Mas poderia dizer "après moi le deluge" (depois de mim o dilúvio - Luís XV / Mme. Pompadour). A absolutismo cubano, que fez ditadores ricos à custa do povo pobre, parece começar a fazer água e contar os dias para começar caída de la Bastilla. . 
Cuba, dizem, nunca deixou de ser um grande prostíbulo e, se tem essa vocação, que siga o seu caminho. Nunca deixará de ser bela, envazar o melhor rum e enrolar os melhores charutos. O PCC deles (Partido Comunista Cubano) continuará formando e exportando tecnologia de guerrilha e mantendo o povo encordeirado. Cá entre nós, entretanto, o ovo da serpente foi posto, adormece e choca sob o calor de assistencialismos nefastos, mentalidades anacrônicas, e vez por outra por alguma liderança estúpida pregando em favor daquela ditadura. Cabe a manutenção do olho arregalado, a fim de alertar os mais jovens para que não se deixem engravidar por ideais que não se sustentam  por si. 

Guevara teve talento, ou seja, morreu cedo.   Segue por ai como alma penada em busca da luz que talvez tenha tido e oferecido aos seus próximos, assombrando o cosmo, pousando vez por outra em ouvidos despercebidos e carentes, e se eternizando em tatuagens míticas juvenis, bonés e camisetas. Coisa de quem sabe pouco a respeito , assim como tem outros que tatuam a suástica, Hitler e o próprio anjo caído.   . 


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