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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CHUVA E LÁGRIMAS



“Maio de 68” foi um movimento estudantil que começou em março, na comunidade de Nanterre, ao lado de Paris, que logo a seguir tomou a capital, depois a França e o resto do mundo.

Foi uma espécie de nova revolução francesa promovida por estudantes, esta de coloração roxo-hematoma, diferente da anterior que era vermelho-guilhotina. Baixaram o cacete na gurizada que questionava o autoritarismo nas universidades, a rigidez dos costumes, a Guerra do Vietnam e reivindicava reformas. E estava a fim de sexo, drogas e rock and roll. A polícia carregou as nuvens com gás lacrimogêneo e fez chover lágrimas. Eram tempos de moderna contestação social, cujo ápice foi o grande surubão de Woodstock, no ano seguinte. A revolta estudantil estimulou outras classes, provocando uma greve geral que parou a França, e cortou os pés do gigante De Gaulle que, impotente, renunciou em abril de 69.

Muitas obras surgiram do “Maio de 68”. Artigos, revistas, livros e filmes. Assisti a um de 2003, com a Eva Green chamado "Os sonhadores" e não gostei. Um   trisalzinho 
 meia boca em meio aos protestos, arremedo do outro chamado "Jules e Jim - uma mulher para todos", com 
a Norma Bengell, este sim, muito bom. E músicas, muitas. Até mano Caetano meteu um "proibido de proibir". Mas a música mais marcante, que os estudantes entoavam quase como se fosse um hino era "Rain and tears" (Chuva e lágrimas... Chuva mais gás lacrimogêneo), do grupo Aphrodite”s child (Filhos de Afrodite), ícone do rock progressivo, cujo vocalista era um egípcio enorme, de origem grega nascido em Alexandria, com uma voz marcante de improvável delicadeza. Linda, única e surpreendente, basta ouvir e confrontar a voz com a estrutura de onde ela saía. 

Artémios Ventouris-Roussos, ou só Demis Roussos, para seus amigos que dançavam na Reitoria, nos deixou em 2015, morrendo aos 68 anos. Foi ainda maior em carreira solo.
https://castelodeguardanapos.blogspot.com/


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

AEROPORTO


 

Aeroporto, de 1970, não foi o primeiro filme-catástrofe, mas, penso que juntamente com "Inferno na torre", de quatro anos depois, é seguramente o mais popular e de recordes de bilheteria no gênero.

O elenco tem um time de peso, composto por figuras carimbadas e premiadas do álbum hollywoodiano da época de ouro: Burt Lancaster, Dean Martin, Jean Seberg, George Kennedy, Helen Hayes, aa passageira idosa clandestina, oscarizada pelo papel, Van Heflin e... Jacqueline Bisset, com 26 aninhos em seu quarto filme, e que patrocina com o capitão Dean Martin, o lado romântico do caos.
Era para ser um voo tranquilo e de algumas comemorações, que sai de Chicago com destino a cidade eterna, Roma. Mas a bordo, a tripulação é informada que há uma bomba, levada por um terrorista velho e perturbado, Helfin, no último filme de sua carreira, e que viaja com a esposa. O comandante tenta retornar, em pouso de emergência, no entanto, além da cidade estar em sofrimento sob uma monumental nevasca, a equipe de terra não consegue dar suporte por ter a pista bloqueada por outra aeronave. Um microcosmo tenso e desesperador, cheio de impossibilidades, por quase duas horas. Não tem como não estar dentro daquele avião suando frio.
Porém, além de ser um filme muito bem feito e de atuações memoráveis, tem algo especial na obra: a música. Airport Love Theme, uma joia de Alfred Newman e imortalizada por Vincent Bell. É simplesmente inesquecível, e perpassa os tempos como trilha sonora de eventos especiais. Ouça e viaje sem bombas e nevascas!

Pelo sucesso, o filme recebeu três sequências até 1980, com o Concorde, mas sem o mesmo charme.