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domingo, 17 de maio de 2026

A OUTRA



Assisti a esse filme pela curiosidade histórica, porque gosto do tema e porque se passa em um período turbulento na vida britânica; de alta e cínica religiosidade; de manipulações políticas e intrigas na corte, quando o rei Henrique VIII, galopava soberbo sobre todas as vontades.
A trama acompanha a saga trágica das irmãs Bolena, Maria e Ana. O roteiro, nesse caso fiel à história, as desenha como irmã boa e irmã não tão boa assim; Maria (Scarlett Johansson), gentil e misericordiosa, e Ana (Natalie Portman) de personalidade forte, inteligência superior e ambiciosa. Não se sabe se por algum recurso dramático, a criação inverte as idades (Maria era a mais velha). Fato é que ambas se deitaram nos pelegos do Henricão, e coadjuvaram as profundas transformações politicas e religiosas na sociedade inglesa.

Após Henrique (Eric Bana) ter tomado Maria na mão da grande do marido, tornando-a sua amante, a despachou, porque ela que não lhe deu um filho homem. Então foi a vez de Ana que, espertamente, não cedeu ao assédio do rei, antes que este a desposasse, o que, para que se consumasse, deveria ter seu casamento com Catarina de Aragão (sim, o canalha era casado!) anulado. O papa de Roma, Clemente VII, no entanto, não aceitou a anulação, o que levou Henrique, seduzido e inconformado com a resistência de Ana, a romper com a igreja católica, fundando a igreja anglicana. Depois disso, o Papa Paulo III excomungou o monarca inglês. Ana Bolena, assim, tornou-se rainha da Inglaterra, mas por um período muito curto, uma vez que, por ter dado a luz a outra menina, também levou um pé. Por ter criado muita cizânia na corte, Ana conquistou vários inimigos. Com o desprezo do rei, a caterva se aproveitou para acusa-la de traição, incesto e outros bichos e teve a cabeça decepada em público. Na época, cortar cabeças de acusados, com ou sem provas cabais, era um espetáculo de galerias cheias.

Resta que Ana é mãe de Elizabeth I, que seguiu linha sucessória e foi conhecida como a "rainha virgem" (há controvérsias) , que reinou a Inglaterra por 45 anos. As Elizabeth por lá são longevas. Mas não custa lembrar que a mãe do Charles é a II.

Não gosto muito de falar sobre detalhes técnicos, até porque nesse caso me falta justamente isso, mas a ambientação, o figurino e as performances são notáveis. Um senão: faltou mais meia-hora de filme, ou um capricho a mais no roteiro, a fim de arredondar a história.