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segunda-feira, 27 de abril de 2026

CLOSER - PERTO DEMAIS






Esse filme, lançado em 2005, é um turismo endógeno; um safári pela alma humana visitando pontos sensíveis do entrelaçamento afetivo, com o cuidado de não pisar nos extremos, graças ao roteiro muito bem feito, fiel ao espírito da história.
Mas pode ser também, ou simplesmente, um romance chato, montado sobre um quadrado amoroso, embora não configure bem um " ménage à quatre". Vai depender de como se observa a complexidade das personalidades envolvidas na trama, seus conflitos, carências e patologias, sob a regência de Eros e Afrodite. É uma peça de teatro filmada e isso deve ser entendido. Isso talvez deixe o filme chato.
Julia Roberts, no papel que deveria ter sido de Cate Blanchett, que declinou em função da gravidez, é quem dá cartas e joga de mão na história. Porém, a grande atuação é da menininha prodígio Natalie Portman, que faz uma doce, sonhadora, mas de mistérios insondáveis, prostituta juvenil. Completam o time Jude Law e Clive Owen, de cara e gestual sempre iguais, a despeito do que exige o papel, e que neste filme deve ter tido sua melhor performance. São quatro manipuladores, cada um com seu método ou característica.
"Closer..." não chega a ser um grande filme, mas é intrigante e instigante, marcando bem as fronteiras que diferenciam essas palavras, e deixa a mensagem perturbadora de que solidão não se resolve a qualquer custo. Vi, revi e acho que devo ver de novo, porque os personagens ainda não me disseram tudo o que tinham para me dizer. Ou me disseram e eu me fiz de bobo.
Bebel Gilberto emplaca duas músicas na trilha sonora. Uma delas a maravilhosa "Samba da bênçãos", do Vinicius.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

TRAFIC

 



Esse é um filme denso, longo e por vezes sonolento, porém, profundamente marcante. O enredo exige uma curva dramática dividida em histórias distintas, identificadas pela policromia, mas com um fim que se entrelaça. O filme é baseado na minissérie inglesa "Traffik", dos anos 80.

Trata do mundo, ou submundo do tráfico de drogas, desde a sua origem, ao democrático mercado de consumo. Democrático porque não discrimina classe, cor, credo e gênero, passando pela dura e cruel disputa por território, bem como suas ramificações nos poderes palacianos.
O filme em determinados momentos parece ser didático demais, porém está dentro do seu propósito que é fornecer um painel sobre o narcotráfico, praticamente sem juízo de valor. E aqui aparece o talento do roteirista Stephen Gaghan, que lutou um bom tempo contra a dependência química.
"Traffic" foi fartamente premiado pela crítica. O Oscar de melhor ator dessa edição foi Russell Crowe, em Gladiador, mas bem que poderia ter sido Michel Douglas, que faz o papel do juiz. No entanto, acabou levando para casa uma estatueta muito melhor: Catherine Zeta-Jones, com quem é muito fácil contrair a compulsão que ele proclama ter.
O filme ainda deixa mais uma mensagem não sei se intrigante, visionária ou trágica, ou tudo isso: essa é uma batalha que a sociedade limpa já perdeu.
São duas horas e meia de duração, portanto, preâmbulo com Chardonnay e arremate com Sauvignon.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A INTERPRETE



"A montanha pariu um rato" é uma expressão, acho que das fábulas do Esopo, e fala de uma grande expectativa que acaba frustrando. Pois juntam-se Sean Penn e Nicole Kidman sob a batuta de Sydney Pollack e pronto! Fez-se "A interprete". Para melhorar, só com a companhia de um negrão chileno de sobrenome francês, da família Sauvignon, mais meio quilo de gorgonzola. Com eles, contracena Jesper Christensen que de cara a gente já desconfia que será o culpado de alguma coisa. Ele sempre é culpado. 

Porém... A montanha pariu o rato. O filme é apenas bonzinho, prende bem a atenção, até porque, bacudo, como se faz para desviar os olhos de Nicole? Ela é Silvia Broome, uma africana branca, ex-ativista, moldada sob o cetro da violência política racial e corrupta da região em que se criou, que teve a família morta em conflitos, e que se torna interprete da ONU, em Nova Iorque, supostamente em nome da paz. 

Em um momento vago, incidentalmente, ouve vozes em dialeto africano, combinando um atentado terrorista contra um líder totalitário. Coincidentemente o culpado pelo extermínio de sua família. O atentado seria executado durante um manifesto que a tal liderança faria na Assembleia Geral. 

Talvez essas ações não passem de coincidências.  Ao ouvir e dar noticias de que ouviu, Silvia passa a ser alvo. Então recebe a proteção do agente Keller(Penn), também torturado por perdas, estas mais recentes. Era para estarem se consolando mutuamente até hoje, porém, a trama não contemplava relações afetivas. 

É uma temática ótima, atemporal, com enredo bem enredado, mas faltou consistência e refinamento. Em resumo: é um prato de boa comida, feito com capricho, mas com quase nada de sal e demais temperos. No entanto, acabo de rever. (Culpa da Nicole).

sábado, 11 de abril de 2026

THOMAS CROWN - A ARTE DO CRIME




Esse é um filme de 1999, refilmagem do homônimo de 1968, que dança em uma corda tênue entre drama, crime, romance e uma pitada de humor. Leve, inteligente, bonito e sedutor, como não poderia deixar de ser, uma vez que conta com o bonitão Pierce Brosnan, o ladrão, e a rainha da sedução Rene Russo, uma investigadora particular.

Em relação ao filme original de 1968, Brosnan recria o papel de Steve Mcqueen, e Russo o de Fay Danway (que neste aparece como a terapeuta de Brosna). São quatro grandes atores, mas pela tecnologia cinematográfica de 99, que influi na dinâmica da trama e, porque não, pelos fatores estéticos, o atual é melhor.

Crown é um milionário esperto, que tem tudo o que quer, e usa como hobby, o desafio de furtar obras de arte. Esbarra em Catherine Banning (Russo), tão esperta quanto, movida também pelo desafio de não fracassar em suas missões. Banning é contratada pela seguradora para recuperar um Monet avaliado em U$100milhões. Ao conhecer Thomas começa o jogo. O sensor apurado de investigadora faz com que Banning perceba que não está diante de um criminoso comum,, e se vai à luta usando todas as armas que possui, entre elas a sedução. Só que do outro lado há Pierce Brosnan e o risco é grande. E ele também percebe com quem está lidando. Por fim, são dois titãs que acabam descobrindo que não são invencíveis.

Vale a pena ver ou rever. Um luxo à parte é um pedaço da trilha sonora. "
The Windmills of Your Mind". E
boas surpresas ao final.