Powered By Blogger

segunda-feira, 27 de abril de 2026

CLOSER - PERTO DEMAIS






Esse filme, lançado em 2005, é um turismo endógeno; um safári pela alma humana visitando pontos sensíveis do entrelaçamento afetivo, com o cuidado de não pisar nos extremos, graças ao roteiro muito bem feito, fiel ao espírito da história.
Mas pode ser também, ou simplesmente, um romance chato, montado sobre um quadrado amoroso, embora não configure bem um " ménage à quatre". Vai depender de como se observa a complexidade das personalidades envolvidas na trama, seus conflitos, carências e patologias, sob a regência de Eros e Afrodite. É uma peça de teatro filmada e isso deve ser entendido. Isso talvez deixe o filme chato.
Julia Roberts, no papel que deveria ter sido de Cate Blanchett, que declinou em função da gravidez, é quem dá cartas e joga de mão na história. Porém, a grande atuação é da menininha prodígio Natalie Portman, que faz uma doce, sonhadora, mas de mistérios insondáveis, prostituta juvenil. Completam o time Jude Law e Clive Owen, de cara e gestual sempre iguais, a despeito do que exige o papel, e que neste filme deve ter tido sua melhor performance. São quatro manipuladores, cada um com seu método ou característica.
"Closer..." não chega a ser um grande filme, mas é intrigante e instigante, marcando bem as fronteiras que diferenciam essas palavras, e deixa a mensagem perturbadora de que solidão não se resolve a qualquer custo. Vi, revi e acho que devo ver de novo, porque os personagens ainda não me disseram tudo o que tinham para me dizer. Ou me disseram e eu me fiz de bobo.
Bebel Gilberto emplaca duas músicas na trilha sonora. Uma delas a maravilhosa "Samba da bênçãos", do Vinicius.

Nenhum comentário: