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sexta-feira, 31 de julho de 2026

AMOR SEM PALAVRAS (IA)


A música L'amour sans parole (Amor Sem Palavras) lançada neste ano (maio/2026) é parte de um projeto virtual, produzido por Inteligência Artificial, com o propósito de homenagear os anos dourados da romântica música francesa dos anos 60/70. O projeto chama-se de Melody Letters, e esta música em especial é linda e cantada por uma voz angelical, talvez um mix arranjado de vozes lindas sintetizadas em IA. É de mergulhar no Sena de poncho e guarda-chuva, sem medo das chamichugas. .

As identidades por trás do projeto não são divulgadas, porque a ideia é essa mesmo: anonimato e valorização do romantismo da época, com baladas suaves e intimistas. A quantidade de álbuns e músicas lançadas em um curto período é longa.
Fico sem saber o que dizer, uma vez que tenho entre amigos muitos e talentosos compositores, e amigas cantoras de vozes divinas. Mas as músicas de Melody Letters são, sem dúvidas, fascinantes

segunda-feira, 27 de julho de 2026

ARRANCHADO




Como há beleza na dor! Não é um exagero, acho que não, dizer que sem dor não há poesia. A beleza, por si já dói, dói na proporção de não podermos aprisioná-la ou possuí-la.. O poeta sente a dor comum, a de alguém, a do mundo, e a torna sua. Apropria-se dela para que sangre, e desse sangue passe a pintar seus horizontes incertos. E quanto mais rasgada a alma, seja por amor, seja por falta dele, mais sangrento são os seus versos. Porém, trazem à tona o que de melhor temos por dentro: a sensibilidade.. Do obreiro a quem admira a obra, pálido de espanto..  Há muita coisa linda; muita letra maravilhosa por aí. Mas eis que, em um dia qualquer modorrento e cervejado, enquanto a costela choramingava lágrimas de gordura sobre as brasas, alguém pega um violão e começa a tocar uma música, nem tão nova, nem tão antiga, e dedilha, declamando a letra. “...𝐔𝐦 𝐥𝐮𝐳𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐢𝐦𝐚𝐠𝐢𝐧á𝐫𝐢𝐨 𝐍𝐚 𝐪𝐮𝐢𝐧𝐜𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐮𝐦 𝐜é𝐮 𝐧𝐮𝐛𝐥𝐚𝐝𝐨 𝐕𝐚𝐢 𝐚𝐩𝐚𝐫𝐭𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐫𝐞𝐛𝐚𝐧𝐡𝐨𝐬 𝐃𝐞 𝐟𝐮𝐦𝐚ç𝐚 𝐧𝐨𝐬 𝐭𝐞𝐥𝐡𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐄 𝐮𝐦𝐚 𝐬𝐚𝐮𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐧𝐨𝐢𝐯𝐨 𝐃𝐞 𝐜𝐚𝐦𝐩𝐨 𝐞 𝐛𝐞𝐫𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐠𝐚𝐝𝐨...” Foi quando troquei a cerveja e fiquei bebendo “𝐧𝐨𝐬𝐭𝐚𝐥𝐠𝐢𝐚𝐬/ 𝐃𝐞 𝐬𝐚𝐧𝐠𝐚, 𝐩𝐢𝐭𝐚𝐧𝐠𝐚 𝐞 𝐯𝐞𝐧𝐭𝐨/ 𝐒𝐞𝐬𝐦𝐚𝐫𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐬𝐚𝐮𝐝𝐚𝐝𝐞/ 𝐍ã𝐨 𝐜𝐚𝐛𝐞𝐦 𝐧𝐨 𝐚𝐩𝐚𝐫𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨”. Um coice nos peitos! “Arranchado”, uma canção linda; terna, dolorida, ruminando uma saudade conjugada em três tempos: pretérito imperfeito, presente do subjuntivo, e que estaciona no meio do futuro do pretérito. Os motes sugerem uma dor e a revelação de um sonho frustrado. É de 1985, acho que originalmente cantada por Cesar Passarinho, da lavra de Armando Vasques, junto com um amigo querido, que mora no meu coração de graça, Valdir Santana. . Pois Armando e Valdir  vão viver arranchados cá por dentro enquanto eu viver e minha alma puder voejar sobre os campos cobertos de rosetas das planícies do pampa, ouvindo suas violas. Dançarei solito ou  empernado com lembranças caras. E quando nos formos daqui... Ah... Que nos aguardem os ombros dos seres assexuados, não sei se lá de cima ou lá de baixo.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

O QUE JUNG CHAMOU DE SINCRONICIDADE


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sábado, 18 de julho de 2026

MANCHESTER À BERIA-MAR




Dores são dores, e cada uma dimensiona a sua de acordo com a sua capacidade de absorção. Ou não, porque há dores que transformam a vida de quem sente e simplesmente não passam. 

A dor do luto, por exemplo, nunca passa. No máximo é trocada por outras dores ao longo da vida e, dependendo da fortaleza espiritual de cada um, vão dando espaço para uma sobrevivência minimamente razoável. Mas é impossível imaginar o trauma de alguém que, por um mero descuido, faz com que a casa onde mora pegue fogo e mate seus filhos.

Um drama cheio de cortes corretos e justificados,  e uma atuação impecável de Casey Affleck, que nos traz um cidadão antissocial, pai transtornado pelo trauma, e que se vê com a tarefa de tutorar um sobrinho adolescente, após a morte do irmão. São famílias destruídas pelo inimigo invencível: a morte. 

Há beleza na dor e a mensagem do filme, muito mais que o enredo e o roteiro está justamente no tratado sincero,
de que nem sempre é possível vencer os demônios, mas que é possível conviver com eles.  

É um filme que emociona, com uma trilha sonora clássica e pertinente ao tema, onde se sobressai a maravilha chorosa Adagio de Albononi. Mas se houver choro  será contido, uma vez que, ao invés de vivermos os personagens e suas dores, a gente os traz para fora da tela e se pergunta: E se... E se fosse comigo? Assim, não dá para sentir seus sofrimentos  e não dá para imaginar o nosso. 

A safra de novos filmes não é boa, este é de 2016, mas é atemporal. 





segunda-feira, 13 de julho de 2026

SOB O MESMO CÉU


Um filme que conte com a carinha doce de Rachel McAdams, a poderosa e oscarizada ruiva Emma Stone, com posse e porte de dois fuzis verdes entre os cílios, mais um dos queridinhos atuais da academia Bradley Cooper, além de alguns pesos pesados da velha guarda, convidam a assistir Sob o mesmo céu. Um romance fofo e levezinho, que não vai mudar sua vida nem fazer você ficar algum tempo ruminando. Serve apenas de contraponto para dias pesados.

Brian (Cooper) é, ou foi, um piloto talentoso aposentado, que se deixou jogar na várzea, busca recuperar sua vida no Havaí, onde vai fiscalizar o lançamento de um foguete, e onde ficaram marcas sentimentais profundas. Um ex-amor, Tracy (Rachel) ora casada com um colega e que formam uma linda família, tem mágoas de abandono passado, e que guarda uma revelação chocante, capaz de transformar a vida de qualquer um. No meio desse turbilhão, surge uma nova colega de armas, Ng (Emma) linda e desafiadora, que ajuda a compor e dar fundamento à história.
O pano de fundo do romance, além da fotografia havaiana, mostra algumas movimentações políticas na ilha, possessão americana, a insatisfação dos nativos sobre o projeto do qual o mocinho, também nativo, está na linha de frente. E como curiosidade, a insatisfação da crítica quanto a escalação de personagens loiros de olhos claros, como nativos ou descendentes de havaianos. Mas não é por esse pecadilho que o filme deixa de ser mais ou menos.

Parte da doçura da trama fica por conta de Danielle Rose, a filha da família linda.
Quer iniciar uma semana com afagos no coração e sorrindo? Assista, linda trilha sonora.