Dores são dores, e cada uma dimensiona a sua de acordo com a sua capacidade de absorção. Ou não, porque há dores que transformam a vida de quem sente e simplesmente não passam.
A dor do luto, por exemplo, nunca passa. No máximo é trocada por outras dores ao longo da vida e, dependendo da fortaleza espiritual de cada um, vão dando espaço para uma sobrevivência minimamente razoável. Mas é impossível imaginar o trauma de alguém que, por um mero descuido, faz com que a casa onde mora pegue fogo e mate seus filhos.
Um drama cheio de cortes corretos e justificados, e uma atuação impecável de Casey Affleck, que nos traz um cidadão antissocial, pai transtornado pelo trauma, e que se vê com a tarefa de tutorar um sobrinho adolescente, após a morte do irmão. São famílias destruídas pelo inimigo invencível: a morte.
Há beleza na dor e a mensagem do filme, muito mais que o enredo e o roteiro está justamente no tratado sincero,
de que nem sempre é possível vencer os demônios, mas que é possível conviver com eles.
É um filme que emociona, com uma trilha sonora clássica e pertinente ao tema, onde se sobressai a maravilha chorosa Adagio de Albononi. Mas se houver choro será contido, uma vez que, ao invés de vivermos os personagens e suas dores, a gente os traz para fora da tela e se pergunta: E se... E se fosse comigo? Assim, não dá para sentir seus sofrimentos e não dá para imaginar o nosso.
A safra de novos filmes não é boa, este é de 2016, mas é atemporal.

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