Assisti "Orquídea selvagem" em uma madrugada de sexta-feira de 1990. Fita cassete locada.
O filme é uma bomba erótica, que tem o Rio de Janeiro como ambientação, e tomadas em Salvador. Presumivelmente, a ideia era pegar carona no sucesso de "9 1/2 semanas de amor", mas nem as convincentes cenas de sexo entre os protagonistas Carré Otiz e Mickey Rourke (há indícios de que não foram de mentirinha) salvaram o filme. Foi um fracasso que encaminhou o declínio na carreira de Mickey.
A relação entre o casal Otiz e Rourke saiu da tela para a vida. Foram do cast direto para o altar, em um casamento tipo Faixa de Gaza, que durou seis anos, regado a álcool, drogas, tapas e beijos. Toda a química que existia entre o casal virou matemática: só problemas. Talvez por isso Mikey, que antes de ser ator fora boxeador, depois do filme voltou a sê-lo.
Carré Otiz, que eu não sabia quem era, mas havia figurado nas capas de Elle, Vogue, Harper's Bazaar, Cosmopolitan, Allure, Mirabella e Marie Claire, fazia sua estreia no cinema, justo porque a mimosa Brooke Schields achou que aquilo não era filme de família e declinou do convite. Tinha, ou tem, um par de olhos incendiários. Olhos, boca, corpo... Tudo selvagem; uma linda e rara orquídea selvagem. Depois de "Orquídea...", Carré filmou mais três vezes e largou o jogo. Livrou-se, dizem, dos coquetéis químicos macabros, publicou sua autobiografia, casou com um ambientalista que, nas horas vagas, cuida também das suas múltiplas tatuagens. Ela é um wallpaper.
Pois eu havia buscado o filme por causa da Jacqueline Bisset, que faz parte da trama, e seu olhar confortador. Jac é quando o verbo se faz substantivo e a gente fica catando, atônito, adjetivos para modificá-lo. Nunca encontrei um à altura. Achei que só a presença dela justificaria o filme. Dia desses tentei rever novamente, justo por causa dessa senhora, mas não consegui.
Não me lembro de não recomendar algum filme, prefiro não falar a respeito. Mas... A hora é agora

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