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quinta-feira, 5 de março de 2026

ESCRITO NAS ESTRELAS (Serendipity)




Inicialmente, me propus assistir a esse filme por curiosidade. Muito em função do título original, uma vez que, teoricamente, é o tipo da trama que a gente já sabe o que vai acontecer. Também porque há no enredo especulações sobre coincidências, chamadas pelo mestre alemão Jung de sincronicidade, assunto que me agrada. Mas ao fim, acabei me adocicando.

Serendipidade (Serendipity), o título original, é uma palavra estranha, um anglicismo não usual, mas que é mais comum do que se possa pensar. Significa algo como descobrir coisas úteis ao acaso, enquanto estamos fazendo algo nada a ver com o que foi descoberto. A penicilina, o forno de micro-ondas, a batata chips e o Viagra, por exemplo, são criações acidentais, serendipidades.
"Escrito nas estrelas", o titulo em Português, é uma comédia romântica, natalina de 2002. Traz o ótimo John Cusack (Jonathan) e a charmosíssima, que melhora com o tempo, Kate Beckinsale (Sara), que protagonizam o filme quase em dueto. São dois jovens que saem às compras de Natal, entram na loja Serendipy, disputam o mesmo presente e se encantam mutuamente. A mocinha é mística, ligado a destino, fiel aos astros e tudo o que eles combinam entre eles à nossa revelia. O mocinho está apenas encantado com ela. A partir daí, o que combinam não dá certo e se sucede uma série de desencontros que duram todo o filme. Quase todo, porque enfim, sempre haverá uma pista de patinação no Central Park, pronto para atender os desígnios do destino. Estava escrito, segundo Sara.

Emoldura a abertura da trama a voz única de Louis Armstrong.

Em tempos de guerras e contrariedades raivosas é um bom ansiolítico virtual.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

IVANILTON DE SOUZA LIMA

 Apenas dois brasileiros constam no 𝙇𝙖𝙩𝙞𝙣 𝙎𝙤𝙣𝙜𝙬𝙧𝙞𝙩𝙚𝙨 𝙃𝙖𝙡𝙡 𝙤𝙛 𝙁𝙖𝙢𝙚, que é o Hall da Fama de composições latinas. Os únicos dois são: Antônio Carlos Jobim e 𝙄𝙫𝙖𝙣𝙞𝙡𝙩𝙤𝙣 𝙙𝙚 𝙎𝙤𝙪𝙯𝙖 𝙇𝙞𝙢𝙖. Tom Jobim o mundo sabe quem é, universalizou e eternizou uma guria da praia de Ipanema e ganhou um aeroporto para chamar de seu. Já Ivanilton... Mas se falarmos em Michael Sullivan melhora bastante e muitos saberão de quem falamos.. Sullivan é dono de mais de 2000 composições entre obras solo, em dupla com Paulo Massadas e outros tantos parceiros. .

No início da carreira fez parte de bandas como Renato e seus Blue Caps, The Fevers e outras menos votadas. Deixou de ser Ivanilton para se tornar Sullivan por volta de 1976, quando adotou a carreira solo, e fez a trilha sonora de 19 novelas da Globo, no tempo em que isso significava muito. .
É um gênio pernambucano, nascido em Recife, em 1950. Não é muito reconhecido por aqui, talvez porque boa parte de suas composições tenham ganhado o rótulo de "comerciais", ou por não ter fixado um estilo único, escolhido um público alvo, não se sabe. Também porque não é performático e não tem uma imagem midiática.
Sua obra vai da balada em inglês mais torturante e linda, como My life, trilha de O casarão, passando por quase todo o repertório da Xuxa, até o brega menos chique. Além de verdadeiros marcos POP e da MPB como Whisky a Go-Go (Roupa Nova); "Como um dia de domingo" (Gal e Tim) e "Me dê motivo" (Tim). E do outro lado das faixas, é também dono de algumas que arrebentam cotovelos como "Estranha loucura" (Alcione), "Promessas" (Joana), "Deslizes" (Fagner)... Bueno, são mais de duas mil e algumas vale muito a pena ouvir.




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

UM SONHO DE LIBERDADE



Stephen King é um escritor que, explorando temas de terror, ficção científica, suspense e fantasia vendeu 400 milhões de cópias. Mas há pelo menos três filmes extraídos de suas obras, que fogem dessas temáticas, e se tornaram clássicos de altíssima sensibilidade e valor humano. "À espera de um milagre", "Conta comigo" e "Um sonho de liberdade". O ponto comum desses filmes é o valor das amizades. Devem ser revistos de vez em quando.

"Um sonho de liberdade" é um dos melhores filmes que assisti. Conta a história de dois presidiários. Um veterano contrabandista sujeito a 40 anos de prisão, “Red” Redding (Morgam Freeman) e Andy Dufresne (Tim Robbins), um jovem bancário, condenado a prisão perpétua por ter assassinado a esposa e seu amante. Crime que sempre negou.

Preso, Andy se aproximar de Red, que tem grande influência entre os detentos pelas negociatas que faz. Encomenda um enorme cartaz de Rita Hayward e um martelo. O cartaz é trocado com o tempo, mudando para Marilin Monroe e por fim
Raquel Welch. . Mais tarde, por sua experiência, passa a ajudar o diretor da prisão com as finanças, que fatura explorando os presos.

Um dia, Andy soube por um detento, que teria conhecido alguém que havia lhe revelador ter assassinado um casal, cujo marido era bancário e foi preso em seu lugar. Andy se enche de esperanças para provar sua inocência, procura o diretor, mas este nega a ajuda e mata o informante, porque não quer perder o "funcionário" . Ele cria então uma identidade falsa para se prevenir e porque tem planos.

Uma manhã, os guardas fazem a contagem dos presos e percebem que a cela de Andy está vazia. E descobrem na parede um enorme buraco atrás do pôster de Raquel Welch. Durante os 20 anos Andy cavou pacientemente um túnel com o pequeno martelo adquirido de Red, fugindo pela rede de esgoto. .

Em liberdade, consegue incriminar o diretor da cadeia, que acuado comete suicídio, e toma a identidade falsa que criara, pegando também o dinheiro das transações desviadas do diretor. E deixa uma carta a Red, que ganharia a liberdade em seguida, para encontrá-lo no final.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O JUIZ

 

Sábado, 14/02/2026, revi esse filme, que trata da vida de dois operadores do direito. O pai, um juiz veterano e reconhecido em sua pequena comunidade, e o filho, um advogado de sucesso da cidade grande. Entre ambos um abismo cheio de mágoas antigas que, pelo perfil psicológico de ambos, de improvável solução e convivência.
O veterano e icônico Robert Duvall, de tantas performances inesquecíveis, como Tender Mercies em "A força do carinho" (Oscar), ou em Apocalypse Now, no papel do indômito e excêntrico Tenente-Coronel Bill Kilgore. E Robert Downey Jr. de quem não gosto, porque parece não conseguir descolar do papel do Homem de ferro (Tony Stark), com seu estilo irônico e de olhar distante, como Hank Palmer, o filho advogado, que retorna à cidade natal para o velório da mãe.

Concomitantemente, seu pai está sendo acusado de ter assassinado um antigo réu, condenado por ele, que acabou de sair da prisão após cumprir 20 anos na cadeia. Apesar das recusas do pai, Hank toma para si o caso. As páginas tantas do processo, Hank descobre que o pai está com câncer terminal e já com Alzheimer.
É um bom filme, onde ambos compõe uma bem feita "batalha" afetiva, com cenas de alta sensibilidade, e com show do veterano ator.

Domingo, 15/02/2026, o mundo se despediu do icônico Robert Duvall, aos 95 anos.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

A GRANDE JOGADA

 



Molly Bloom é uma empresária, escritora e palestrante americana, hoje com 48 anos. No início dos anos 2000, ganhou fama como a "Princesa do Poker", por organizar jogos clandestinos e de altíssimo risco em Los Angeles.. Durante a adolescência, entretanto, fez sucesso e prometia vitoriosa carreira como esquiadora, tendo participado do time oficial de esqui americano. Um acidente grave, entretanto, interrompeu sua carreira.

Com esse acidente, ela deixou de participar dos Jogos Olímpicos e parou de esquiar com 25 anos. Foi trabalhar como garçonete em Los Angeles, onde conheceu Dean Keith, um produtor de cinema (de fachada) que a contrata como assistente. Molly passou a coordenar jogos clandestinos, organizados por Dean para a alta elite, Fascinada com as enormes possibilidades de enriquecimento fácil, Molly passa a prestar atenção nos detalhes. É onde monta seu próprio império de jogatina, tendo o cuidado de, ao invés de convidar jogadores profissionais, convida só celebridades e magnatas.
Perseguida pelo FBI, foi presa e acusada de administrar um jogo de pôquer ilegal em Nova York. Em maio de 2014, após se declarar culpada, ela foi condenada a um ano de liberdade condicional , uma multa de US$ 200.000, 200 horas de serviço comunitário e confisco de US$ 125.000.
"As experiências e os acontecimentos narrados aqui são todos verídicos. Em algumas situações, alterei nomes, identidades e outros detalhes específicos de indivíduos para proteger sua privacidade e integridade, e sobretudo para garantir seu direito de contar — ou não — sua própria versão dos fatos, se assim o quiserem.” É assim que Molly Bloom começa sua autobiografia chamada de "A Grande Jogada".

O filme homônimo, que recebeu indicação ao Oscar pelo roteiro adaptado, conta com um elenco de peso, a saber Kevin Costner, como o autoritário pai da moça e Idris Elba, vivendo o desesperado advogado contratado para defende-la. Jessica Chastain, no entanto, arrasta as fichas como Molly. ´

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ENCURRALADA



Joe Hickey (Kevin Bacon) é um homem mentalmente perturbado. Tem no sequestro, em especial de crianças, a sua atividade fim. Mas não são quaisquer crianças. Devem ser, por óbvio, de família rica e que tenham a mãe linda, uma vez que o estupro das mães faz parte do pacote. Nessa aventura criminosa, Joe tem como sócios a esposa e um primo, este que opera como guardião das vítimas e é ainda mais perturbado.

O escolhido da vez é o casal Karen (Charlize Theron) e Will (Stuart Townsend), jovem médico de sucesso, e sua filhinha Abby (Dakota Fanning), então com sete aninhos que, com impressionante desenvoltura, já demonstrava estar pronta para brilhar.
Os sequestradores esperam a viagem do marido/pai para atacar. O médico, vai a uma conferência e é subjugado no hotel pela esposa sequestradora (ótima performance de Courtney Love). Do outro lado, a menina Abby é levada para o esconderijo pelo psicótico, ficando a mãe sozinha e à mercê do bandido.
O suspense e a tensão psicológica entram em cena desde o início do filme, em ritmo frenético, e só terminam no The end, muitas feridas e sustos depois. Um dado torna ainda mais dramática a trama: Abby é asmática, depende vitalmente de medicamentos, fato que escapou da pesquisa dos sequestradores e que mexe com o planejamento. E ao fim, se sabe que o sequestro guardava um motivo ainda mais forte do que o pagamento do resgate.
Baita desempenho de Charlize e Kevin, que concentram a maioria das cenas. Quem gosta do gênero, eis uma boa pedida.

https://castelodeguardanapos.blogspot.com/2026/02/encurralada.html

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

POOH


Os anos 60/70, para quem teve a doce aventura de ser jovem por lá, foi um tempo de transformações de costumes e comportamentos. Cabelos da gurizada desceram costas abaixo; saias das meninas subiram 4 dedos gordos acima do joelho. Tecnicamente, engordados no cós, após a primeira esquina longe das casas.
Na música, por aqui a Jovem guarda, e na internacional, a chamada "Invasão britânica" ao solo e tímpanos americanos, que depois ganhou o mundo. O som estridente das guitarras, somado aos exercícios de improvável controle motor dos bateristas prevaleciam. E ganhavam espaços íntimos, as baladas italianas paridas do Festival de San Remo, sentidas, sofridas como letra de tango, mas adocicadas, que amoleciam corações e sacudiam hormônios. Há em todos, tenho certeza disso, dezenas de intérpretes e cações italianas gravadas em memória permanente (ROM) no hipocampo. Basta não cozinhar na primeira fervura.
"Pooh"é uma banda italiana fora da curva, uma vez que os gringos da "bota" sempre preferiram invadir o mercado em carreiras solo. A banda, no estilo pop/progressiva, nasceu em Bolonha, no ano de 1966, e vendeu mais de 100 milhões de cópias ao longo da carreira.
O nome Pooh parece não querer dizer nada, no entanto, trata-se de uma homenagem ao fofo ursinho Pooh, da Disndey, nome sugerido pela secretária da gravadora. A banda, que antes se chamava de The Jaguars foi obrigada a trocar, uma vez que havia outra banda com esse nome. Os gringos acabaram gostando, porque era um nome curto, de boa sonoridade e, segundo eles, inspirava eternidade. E, de fato, eles ainda andam por aí, mais de meio século depois.

São pioneiros na inserção de tecnologia em suas apresentações, como  canhões a laser, e os primeiros a ter seu próprio sistema de iluminação, palcos desmontáveis, máquinas de fumaça e utilização de mixers. Foram revolucionários e ganharam oito vezes o Festival de San Remo. 

Alguns títulos são eternos, como "Tanta voglia di lei" .







terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

MISS SLOANE


Elizabeth Sloane não tem vida social. Toma anfetaminas, uma vez que não dorme e não tem trato pessoal, o que afasta relações de amizades. E eventualmente compra sexo para se desestressar, tendo o cuidado de manter a mesma parceria.

Elizabeth é uma lobista intransigente na perseguição de vitórias para suas propostas. Não tem ideologia política, credos ou ativismos. Seu lema é vencer custe o que custar; pise onde, no que, ou em quem ela tiver de pisar. E por sua influência e carisma, é disputada pelo meio político e agenciadores lobistas.

Miss Sloane, como é chamada, enredou-se, e foi chamada para depor no Congresso americano, a fim de responder sobre suas táticas nada ortodoxas, e que contrariavam os interesses de um segmento político. Esse segmento, lutava para implementação de um projeto de lei sobre o uso de armas, e já havia tentado cooptá-la para a causa, mas acabou sendo ridicularizado por ela, que pretendia defender um projeto contrário. Eis porque se enredou. Sua vida pessoal, seus pontos fracos, foram expostos, e ele teve de contra-atacar da forma mais dura possível. Miss Sloane, não sairia perdendo de graça. Não sem chutar o pau da barraca e complicar meio mundo.
No encerramento da audiência no senado, tomou a palavra e admitiu métodos escusos, disse que sabia que seria atacada implacavelmente, com o avanço do seu projeto, porque tinha uma colaboradora trabalhando na concorrência; Que usou escuta clandestina registrando o senador Sperling, seu algoz no processo, aceitando suborno do chefe da outra empresa de lobby.

Foi presa, arruinou a carreira, mas acabou com a concorrência e com o senador. No entanto, o filme encerra com ela saindo da prisão, tranquila e com o mesmo olhar gelado e atento.

Bom filme. Bom de ver o embate entre o premiado John Lithgow (senador Sperling) e a maravilhosa Jessica Chastain dando vida à miss Sloane que, como costuma fazer, toma conta do pedaço.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

CUBA LIBRE



 juventude dos anos sessenta/setenta tinha poucos vícios. A que eu vivi não bebia, e quando fumava, os poucos, era na base do Elmo sem ponta ou Colúmbia. Pura marra, afinal não havia um mocinho nos cartazes de Hollywood. que não figurasse com um cigarro pendurado nos beiços. Saíamos à noite, de sexta a domingo, muito a fim de nos esfoguetearmos nos bailes ou reuniões dançantes, e depois percorrermos o saldo de madrugada em busca de alívio, onde houvesse uma luz vermelha e onde alguma tresnoitada companheira de ocasião pudesse nos receber em troca de uma inocente cuba libre. “Paga uma cuba, bem?”. Pois é: Cuba libre! Mas livres éramos nós, e nem precisávamos dizer isso.

Ao contrário do que pensávamos na época, esse nome de bebida não faz alusão à Revolução cubana de 1959, quando Fidel e Guevara derrubaram o sargentão proscrito Fulgêncio Batista. Vem de muito antes, e tão antes, que até o Estados Unidos estava lutando lado a lado pela libertação da ilha do domínio espanhol. A bebida não deixa de ser uma homenagem à união de dois companheiros de luta, hoje impensada: a imperialista Coca-Cola e o caribenho rum.

Cuba, porém, jamais chegou a ser libre. Se Batista, que já sucedera o caos, era capacho americano, Fidel vagou e enriqueceu, por inexplicáveis mais de meio século no poder, dividindo e amordaçando seu povo, à sombra de um mofado comunismo, sustentado por migalhas russas. Mesmo com a queda da cortina de ferro, pressão social pelos embargos americanos e condenando a população cubana à míngua, o regime se manteve. Com o afastamento de Fidel, primeiro para o lado e a seguir para os círculos de Dante, onde deve estar acertando as contas com as milhares de almas sacrificadas no paredón, a ilha passou a ser governada pelo meio-irmão Raúl, depois seu  sucessor Diaz-Canel e com a formação de um colegiado cúmplice, a fim de dar sustentação ao regime.  O próprio Fidel já havia alertado: “depois de mim, Raúl, mas ele não estará sozinho...”. Mas poderia dizer "après moi le deluge" (depois de mim o dilúvio - Luís XV / Mme. Pompadour). A absolutismo cubano, que fez ditadores ricos à custa do povo pobre, parece começar a fazer água e contar os dias para começar caída de la Bastilla. . 
Cuba, dizem, nunca deixou de ser um grande prostíbulo e, se tem essa vocação, que siga o seu caminho. Nunca deixará de ser bela, envazar o melhor rum e enrolar os melhores charutos. O PCC deles (Partido Comunista Cubano) continuará formando e exportando tecnologia de guerrilha e mantendo o povo encordeirado. Cá entre nós, entretanto, o ovo da serpente foi posto, adormece e choca sob o calor de assistencialismos nefastos, mentalidades anacrônicas, e vez por outra por alguma liderança estúpida pregando em favor daquela ditadura. Cabe a manutenção do olho arregalado, a fim de alertar os mais jovens para que não se deixem engravidar por ideais que não se sustentam  por si. 

Guevara teve talento, ou seja, morreu cedo.   Segue por ai como alma penada em busca da luz que talvez tenha tido e oferecido aos seus próximos, assombrando o cosmo, pousando vez por outra em ouvidos despercebidos e carentes, e se eternizando em tatuagens míticas juvenis, bonés e camisetas. Coisa de quem sabe pouco a respeito , assim como tem outros que tatuam a suástica, Hitler e o próprio anjo caído.   . 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

REUNIÃO-DANÇANTE


 




segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CHUVA E LÁGRIMAS



“Maio de 68” foi um movimento estudantil que começou em março, na comunidade de Nanterre, ao lado de Paris, que logo a seguir tomou a capital, depois a França e o resto do mundo.

Foi uma espécie de nova revolução francesa promovida por estudantes, esta de coloração roxo-hematoma, diferente da anterior que era vermelho-guilhotina. Baixaram o cacete na gurizada que questionava o autoritarismo nas universidades, a rigidez dos costumes, a Guerra do Vietnam e reivindicava reformas. E estava a fim de sexo, drogas e rock and roll. A polícia carregou as nuvens com gás lacrimogêneo e fez chover lágrimas. Eram tempos de moderna contestação social, cujo ápice foi o grande surubão de Woodstock, no ano seguinte. A revolta estudantil estimulou outras classes, provocando uma greve geral que parou a França, e cortou os pés do gigante De Gaulle que, impotente, renunciou em abril de 69.

Muitas obras surgiram do “Maio de 68”. Artigos, revistas, livros e filmes. Assisti a um de 2003, com a Eva Green chamado "Os sonhadores" e não gostei. Um   trisalzinho 
 meia boca em meio aos protestos, arremedo do outro chamado "Jules e Jim - uma mulher para todos", com 
a Norma Bengell, este sim, muito bom. E músicas, muitas. Até mano Caetano meteu um "proibido de proibir". Mas a música mais marcante, que os estudantes entoavam quase como se fosse um hino era "Rain and tears" (Chuva e lágrimas... Chuva mais gás lacrimogêneo), do grupo Aphrodite”s child (Filhos de Afrodite), ícone do rock progressivo, cujo vocalista era um egípcio enorme, de origem grega nascido em Alexandria, com uma voz marcante de improvável delicadeza. Linda, única e surpreendente, basta ouvir e confrontar a voz com a estrutura de onde ela saía. 

Artémios Ventouris-Roussos, ou só Demis Roussos, para seus amigos que dançavam na Reitoria, nos deixou em 2015, morrendo aos 68 anos. Foi ainda maior em carreira solo.
https://castelodeguardanapos.blogspot.com/


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

AEROPORTO


 

Aeroporto, de 1970, não foi o primeiro filme-catástrofe, mas, penso que juntamente com "Inferno na torre", de quatro anos depois, é seguramente o mais popular e de recordes de bilheteria no gênero.

O elenco tem um time de peso, composto por figuras carimbadas e premiadas do álbum hollywoodiano da época de ouro: Burt Lancaster, Dean Martin, Jean Seberg, George Kennedy, Helen Hayes, aa passageira idosa clandestina, oscarizada pelo papel, Van Heflin e... Jacqueline Bisset, com 26 aninhos em seu quarto filme, e que patrocina com o capitão Dean Martin, o lado romântico do caos.
Era para ser um voo tranquilo e de algumas comemorações, que sai de Chicago com destino a cidade eterna, Roma. Mas a bordo, a tripulação é informada que há uma bomba, levada por um terrorista velho e perturbado, Helfin, no último filme de sua carreira, e que viaja com a esposa. O comandante tenta retornar, em pouso de emergência, no entanto, além da cidade estar em sofrimento sob uma monumental nevasca, a equipe de terra não consegue dar suporte por ter a pista bloqueada por outra aeronave. Um microcosmo tenso e desesperador, cheio de impossibilidades, por quase duas horas. Não tem como não estar dentro daquele avião suando frio.
Porém, além de ser um filme muito bem feito e de atuações memoráveis, tem algo especial na obra: a música. Airport Love Theme, uma joia de Alfred Newman e imortalizada por Vincent Bell. É simplesmente inesquecível, e perpassa os tempos como trilha sonora de eventos especiais. Ouça e viaje sem bombas e nevascas!

Pelo sucesso, o filme recebeu três sequências até 1980, com o Concorde, mas sem o mesmo charme.