Lendas "sharpeanas 3"
O grupo comercial fora
jantar em uma churrascaria. Fazia aquilo seguidamente no mesmo local, com ou
sem motivo. Havia algumas ausências, mas uma em especial chamou a atenção pela
reincidência. O colega faltante havia confirmado, mas na
última hora cancelou em função da desconfiança da esposa, que não compreendia a
necessidade do marido participar de tantas jantas.
Subserviente, e
conhecendo o temperamento da esposa, acatou.
Entretanto, tinha a necessidade de provar a veracidade daqueles
encontros e certamente justificar outros tantos. Com isso convidou-a para jantar
na mesma churrascaria.
Todos a postos, conversando,
contando piadas novas e antigas, mas que potencializadas pelo ambiente e
algumas cervejinhas sempre seriam engraçadas. Súbito chega o casal (ah, esses incautos
colegas). Um leve e formal aceno ao grupo, e o colega sentou-se afastado,
sequer olhando à mesa, uma vez que
ficara de costas. No fundo ele temia por ter desafiado os astros. Sabia que não se podia confiar neles.
Mas não haveria de
ficar assim, ah, mas não ficaria mesmo. Não para um grupo que se orgulhava da
grande competência, tanto para vender como para zoar. Alguém chamou o garçom e
fez uma recomendação: ”entrega este bilhete para o nosso colega que está
naquela mesa. Mas não diz quem mandou. Entrega e te manda”. E ele assim fez.
Tão logo recebeu o colega abriu, gelou, congelou, branqueou e amassou o bilhete, que foi
imediatamente desamassado pela esposa. Nele estava
escrito mais ou menos o seguinte: “querido,
jamais pensei que viesses com a outra na nossa churrascaria. Isto é um adeus!” A cena contínua foi de um casal indo embora,
em pé de guerra. A mulher na frente fumigando, o marido atrás, com cara de
súplica, menos quando olhou à mesa dos engraçadinhos. Aquele era um olhar calibre 12, engatilhado
por pensamentos maus.
No dia seguinte, muita
expectativa pela reação do colega, mas a iniciativa dele chocou a todos: Uma
carta de demissão. Claro, o pedido foi muito além da entrega de uma simples
carta. Reuniu algumas poucas pessoas que se encontravam na filial naquele
momento e fez um demorado discurso sobre lealdade, comportamento social,
caráter, etc. Justo. Entregou a carta e foi embora.
Foi um bom momento de
conhecer a dor sentida por causa da dor causada. Era preciso fazer algo. Afinal
há de se ressaltar que o colega efetivamente era um cidadão muito comportado. Nunca
se soube de qualquer deslize seu. Assim, alguém foi encarregado de ir à
residência do casal para as devidas explicações, desculpas e penitências.


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