A primeira impressão que me passa esse filme é que os atores foram escolhidos com refinamento. A doce Anne Archer (Beth Gallagher), no papel dela mesma, a excelente Glenn Close (Alex Forrest) exercitando olhos, bocas e estratégias doentias que arregalariam os olhos da Bette Davis e fariam tremer Joan Crawford, e o nosso "ninfo" preferido, aquele que se diz hiperativo sexualmente, casado com a Zeta Jones, e que teve que dar uma baita volta recentemente, para explicar a origem do seu câncer, o Michel Douglas (Dan Gallagher). Glenn e Anne jamais ficariam bem nos papeis inversos. Está na cara, no gestual e, por óbvio, no talento.
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
ATRAÇÃO FATAL
ANÔNIMO VENEZIANO
O filme tem a fatalidade sangrenta de um tango, ou de um samba-canção transtornado da Dolores Duran.
quinta-feira, 10 de outubro de 2024
O FEITIÇO DE ÁQUILA
Eu tenho um motivo especial para assistir vez por outra "O feitiço de Áquila": limpar os olhos da fealdade do mundo. E assim faço com qualquer filme de Michelle Pfeiffer, nos quais exijo Oscar de melhor fotografia, por motivos óbvios.
OS INTOCÁVEIS
Filmaço
OS BONS COMPANHEIROS
Um filme de fôlego, denso, rude. Um texto sobre a máfia que só é menor como obra que "O poderoso chefão". A meu juízo, fica ao nível de "Os intocáveis".
DÉ-JÀ VÚ
Paradoxo temporal é uma viagem, uma espécie de endo-turismo, e lidar com isso é tentador. Quem não gostaria, por um lapso miserável de tempo, voltar lá, onde começaram os danos e preveni-los; ou consolidar aquela alegria que ficou empatada e conjugar a juventude no pretérito perfeito? Quem nunca experimentou um dé-jà vu e saiu por aí fazendo teses?
PATTON
"All right, you sons of bitches. You know how I feel. I'll be proud to lead you wonderful guys in battle anytime, anywhere. That's all". (Tudo certo, seus filhos da puta. Vocês sabem como eu me sinto. Ficarei orgulhoso de liderar caras maravilhosos como vocês para batalha em qualquer hora, em qualquer lugar. Isso é tudo).
DIÁRIO DE UMA PAIXÃO
É uma história que nos puxa para dentro. Tanto para dentro do filme, quanto para dentro de nós, nesses endoturismos reflexivos do último terço da vida. Faz com que vivamos um pouco dentro da trama sem que importem clichês ou pieguices. É uma história comum e que poderia ser a nossa.
𝐎 𝐉𝐎𝐆𝐎 𝐃𝐀 𝐈𝐌𝐈𝐓𝐀ÇÃ𝐎"
Alan Mathison Turing foi um matemático, cientista da computação, lógico, criptoanalista, filósofo e biólogo teórico britânico. Um currículo acadêmico e tanto. Mas quem de fato é Turing na fila da vacina?
O filme, de 2014 é um relato biográfico da vida desse gênio, escondido por mais de meio século da humanidade, por segredos de estado e por intolerâncias. Uma obra muito bem feita; um roteiro muito bem adaptado e uma história incrível que resgata aspectos históricos e a insana intolerância, corrigida apenas em 2013 pela rainha Elizabeth. Alan era homossexual, e nos anos 50 havia sido condenado a castração química por isso.
"O fato é que todo mundo que toca em um teclado, abrindo uma planilha ou um programa de processamento de texto, está trabalhando em uma encarnação de uma máquina de Turing" Revista Time, 1999, oportunidade em que o considerou uma das 100 pessoas mais importantes do século XX. Enfim, sua biografia, ainda que tardiamente, faz-lhe justiça.
É um filme no qual coloco o selo de imperdível. Benedict Cumberbatch, (Dr. Estranho), está soberbo como Alan, arrastando as fichas. Todos os personagens centrais, os gênios do grupo de trabalho que decodificou as mensagens, cinco ao todo, são reais. Com Joan Clark (Keira Knightley), Alan teve um rápido noivado, mas só para inglês ver, afinal, estavam na Inglaterra.
Alan morreu aos 41 anos, não se sabe se envenenado, por suicídio ou por acidente.
AUSTRALIA
É um filme que divide opiniões do público. Longo, cansativo, por vezes sonolento, mas com ingredientes suficientes para preencher 2:30 de projeção. É o cuidado que têm que ter esses longas metragens que se propõe a contar uma saga humana completa. Aventura, ação, amor, ódio, jogos de interesses, com tempero de guerra, e um passeio consistente sobre os aspectos culturais da locação. Porém, como foi o meu caso, para quem consegue se integrar à trama e ao roteiro, é maravilhoso.
Também foi visto com reservas pela crítica que, apesar de ser bem premiado, deveria ter sido mais. Nicole e Jackman não foram lembrados para as estatuetas. Tudo bem, tinha outros pesos-pesados no Oscar de 2009, mas deixar a trilha sonora de fora é quase uma aberração. Ora, um filme com som de Elton John (The drover's ballad) e a saudosa "Over the rainbow", do "Mágico de Oz" não estar entre os indicados foi uma falha. Trilhas parecem ser uma fixação de Baz Luhrmann, o australiano que produziu e dirigiu a trama. Ele não tem uma filmografia longa, mas tinha feito o musical "Moulin Rouge", tempos atrás, com a também australiana por opção, já que nasceu no Havai, Nicole. Quase um nepotismo.CONTA COMIGO
Dizem que juntos, não conseguimos formar um grupo maior do que quatro amigos. Eu falo de amigos, aqueles assim como bem definidos por Franklin, cuja frase da foto acima é um dos trilhos que me guia, tornei-a parte de mim e a repito à exaustão.
"Conta comigo" é sobre isso. Um filme simples, sem luxo, sem musa, sem beijos ou cenas eróticas, e de baixo custo, que venceu todas barreiras com o mais poderoso dos argumentos: a amizade. Na trama, fruto do companheirismo, da pureza e do irresponsável espírito adolescente de quatro meninos: Gordie, Chris, Vernie e Teddy.Gordie Lachance, o narrador e alter ego de Stephen é escritor, e lembra de uma aventura vivida no verão de 1959, junto com os amigos quando tinham 12 anos. Viviam numa pequena cidade do interior dos EUA e um dia saem em busca do corpo de um jovem sumido na mata.
Tudo é inesquecível nesse filme. A trilha ""𝐒𝐭𝐚𝐧𝐝 𝐛𝐲 𝐌𝐞" pela voz única de Ben E. King, que não é parente de Stephen King, autor da obra original, que comove ainda mais o cenário, e ajuda a buscar um pouco de nós em cada um daqueles moleques.
Revejo a cada 20 de julho por motivos óbvios, mateando e sentindo saudades dos amigos que estão por aí, que vejo quando Deus permite, e dos que já se foram e que verei quando Deus resolver nos reunir. Pero... Despacito, Viejo
𝐀 𝐂𝐀𝐒𝐀 𝐃𝐀 𝐑𝐔𝐒𝐒𝐈𝐀
O filme dá meio que um nó no expectador. Nó Górdio! O nosso eterno 007, Sir Sean Connery, no entanto, torna palatável qualquer filme de enredo confuso, em especial se for tipo aqueles que o consagraram: a espionagem. Já sua partner, basta que apareça em cena e, vez por outra, olhe em direção a tela onde estaremos de olhos fixos e pálidos de espanto. Michelle me faz ver o quanto a beleza dói. Dói à proporção de não podermos enclausurá-la. Enfim...
CARTAS PARA JULIETA
Um filme pode ter maus atores, enredo atrapalhado e outros pecadilhos. Mas se deixar uma mensagem legal se salva. E há aqueles que deixam um "queromais" , porque a temática instiga e sobra espaço para desenvolver. Como "Beleza oculta", por exemplo, lindo e frustrante uma vez que faltou recheio para o tamanho do tema.
BELEZA OCULTA
É um filme que me provocou sentimentos variados. Um baita tema, um bom elenco, uma história sensível, mas... acabei ficando no vácuo. Achei frustrante, em função da expectativa que se cria durante a narrativa. Há tanta coisa para falar sobre o Amor, o Tempo e a Morte... Imagine então vê-las personificadas, agindo como velhas conhecidas! Ora... Poder cobrar do Amor o seu real significado, mais que aprisionar-se a ele; questionar o tempo e sua inexorabilidade, sua infatigável corrida em direção ao fim; e brigar com a morte ou negociar com ela sobre prorrogação e pênaltis... Bah! Há muito pano para manga. Mas enfim, é onde de esconde a beleza colateral que propõe o filme: no imponderável.
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS
Alguns anos atrás dei de cara com "O segredo dos seus olhos"! Um filme argentino baseado no livro de Eduardo Sacheri (El secreto de sus ojos - o título em espanhol é de cortar os pulsos), protagonizado pelo grande Ricardo Darin e pela linda, carismática e gran cantante Soledad Villamil.
O filme trata de duas coisas. Fala de um romance escrito com o intuito de desvendar um crime acontecido um quarto de século atrás, e é também a tentativa de resgate de um romance não vivido na mesma época. Ambos são reais e se desvendam. Um com uma descoberta e o outro quando alguém diz: "...Cierra la puerta". Lindo e arrebatado como uma letra e tango!
A trama recebeu Oscar de melhor filme estrangeiro e Soledad também recebeu loas . No entanto, fosse rodado em Hollywood, dirigido por qualquer um dos estrelados hollywoodianos, por certo estaria entre um dos indicados para a estatueta principal. E o portenho Darín, há muito já deveria estar recebendo outros brilhos. Bastaria não torcer para o River. O cara é um monstro.
É imperdível e vez por outra revejo.
O LADO BOM DA VIDA
O filme chama a atenção por vários motivos. O título "O lado bom da vida" é um clamor diário quase obrigatório que devemos passar a exercitar depois da primeira espreguiçada matinal. Saber que nem tudo passa sob os cascos dos quatro matungos de São João Evangelista que galopam pelo mundo. Tudo na vida tem dois lados, como uma moeda, e é divino quando podemos escolher o melhor. Mas o material é o mesmo, e num zás, o que é assim pode ficar assado. Todo cuidado é pouco, em especial sobre escolhas.
Além disso, o casal protagonista está no topo da nova geração da indústria: o ótimo Bradley Cooper e a maravilhosa Jennifer Lawrence, cuja atuação nesse filme fez com que, aos 22 aninhos, após tropeçar no vestido e cair na escada, levasse para a prateleira de casa o seu primeiro Oscar. Os pombinhos são amadrinhados pelo decano Robert De Niro."O lado bom da vida" é um filme de 2012, que trata de pessoas psicologicamente doentes, com uma visão humana, real e sensível. Gira em torno da jovem viúva Tiffany (Jennifer), que lida com a depressão passando o rodo geral, e um cara de sucesso, Pat Jr (Bradley), que entra em parafuso, faz escolhas erradas e perde tudo: emprego, casa e esposa, e acaba internado em uma clínica. Pat volta para a casa dos pais mediante algumas condições, e com a ideia fixa de reconquistar o que perdeu, em especial a mulher.
E por fim a terapia, onde dois despirocados se encontram no link mais simples e antigo à disposição dos mortais: o amor.
A trilha sonora é especialíssima e para gostos variados. Mas se é para escolher, fico com "My cherie amour", do Stevie Wonder, que mexe comigo, e no filme desperta em Pat Jr os instintos mais primitivos.
Quem não viu, está perdendo. Eu assisto ao menos uma vez por ano, desde que foi lançado.
𝘼𝙇𝙄𝘼𝘿𝙊𝙎
O filme conta a história de dois espiões de países aliados, que recebem a incumbência de matar um diplomata nazista no Marrocos, durante a Segunda Guerra. Os agentes devem cumprir alguns protocolos, como simularem ser um casal, e se entrosarem à sociedade marroquina. Mas a gente sabe, até as areias de Gaza, ali pertinho, que não tem sossego nunca, muito menos tempo para pensar sabem que desde a escalação dos protagonistas, de como acaba a tal relação simulada. O que acaba ajudando na humanização da crueldade de suas profissões.
Todas as vezes que assisti a "Aliados", sinto os pés na areia, lembrando de "Casablanca". Mesma locação, ambientação na segunda guerra e dois protagonistas charmosos. Não tem como não viajar no clássico dos inesquecíveis Rick Blaine e Ilza Lund Laszlo (Bogart e Bergman) e do velho Dooley Wilson sentado ao piano tocando "As time goes by".Entretanto, me faz lembrar de outro filme que teve protagonistas de luxo, cenário mágico e uma música maravilhosa, mas que deixa certa frustração, porque o roteiro varia entre o exagero e a falta: "Adeus as ilusões", com Burton e Liz. Aliados cria interrogações desnecessárias, deixa alguns vazios na trama, contando que o elenco poderoso, Brad Pitt e Marion Cotillard (que atriz espetacular!), a musa de "Piaff, um hino ao amor", resolva no talento.
Mas acaba sendo um filme muito bom de assistir. Bonito, ambientação corretíssima, cheio de ações, clima tenso e conspirante como convém a tempos de guerra, e com um final apoteótico! Final que praticamente compensa toda obra. Marion, mostrando um figurino premiado, sobra em atuação, ofuscando o bonitão ex da Angelina. E uma trilha sonora de época perfeitamente encaixada.



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