Não sei se vim do pó que virou barro.
Porque subestimo a matéria que me envolve.
Por mim sou éter, passageiro do tempo,
Apenas isso, ou nem isso, ou pouco mais que isso,.
E, ao fim, nada disso importa.
Meu espírito dança as músicas que eu gosto.
Onde quer que toquem.
Quer saber quem sou? Ouça-as, dance junto.
Para saber o que penso é fácil: leia-me.
Não sou nada além do que escrevo.
Não investigue meus olhos para saber de mim,
E as minhas janelas de alma são como são: abstratas.
Ou faça melhor: pergunte-me!
Dialogo com a vida através dos cinco... seis sentidos.
E desconfio haver outros por onde ainda não interagi.
Trago a essência perceptiva, resquício de alma ressabiada.
Quando me arrefecem as luzes, salva-me a intuição
E a conexão permanente com o irmão cosmo,
Vigilante e coalhado de almas minhas caridosas.
Escavo verdades sem medo de ver nelas crueldade.
Veja nas verdades tochas a iluminar bretes morais.
Quando ardem incomodam, no entanto curam.
Tal qual o sol que cega quando saímos das trevas,
Ao absorver a luz, tudo limpa e abstrai sofismas.
Os caminhos que trilho terminam nos dedos;
Impaciente, raciocino também por eles, porém,
Busco ver além dos quatro mostrados pelo artista.
Perguntas devem respostas; sem elas me atormento,
Porque nego chegar ao Último Juízo julgado por dúvidas.
É certo que serei sepultado por equações resolvidas.
Se soluções por vezes não vi é porque perdi. É do jogo.
Desse coquetel de bem e mal não há de restar saldos.
Meus sentidos se encontram e justificam nos extremos,
Da doação irrestrita, à busca de recíprocas.
Nunca soube sentir pouco; entregar pouco...
Fui o idiota feliz que flertou com o ridículo,
Que o poeta encampou para si;
O louco, que teve o coração devastado em ruinas,
Sem nunca terceirizar culpas.
Tudo foi superlativo. Dos perdões que não pedi,
Aos cinismos constrangidos de arrependimentos.
Tudo do todo me pareceu pouco ou me bastou;
E o nada, se houve, perdeu-se no vazio das impossibilidades.
O resto, apenas não vivi.
Assim, vivo sem pena de me consumir num zás por escolhas boas;
E vivo sem pena as minhas penas, por mais que doam